Lenny Abramov vive numa Nova York tomada por tanques de guerra e pessoas consumistas, sempre conectadas e obcecadas pela saúde e pelo valor da imagem. Neste cenário, é uma figura anacrônica, quase inverossímil. Filho de imigrantes russos, à beira dos 40 anos, careca e dono de um índice de massa corporal acima da média, ele teima em ler livros e, para completar, insiste em se apaixonar perdidamente por uma jovem. É da reprodução do diário desse improvável personagem que nasce Uma história de amor real e supertriste, aclamado nos Estados Unidos como o melhor livro de Gary Shteyngart, autor do sucesso Absurdistão. Classificada como uma criativa sátira do american way of life e comparada ao clássico 1984, de George Orwell, por mostrar previsões um tanto assustadoras sobre o futuro – desta vez, muito menos remoto –, a jornada quixotesca de Lenny Abramov cativa os leitores por preservar, em meio às ruínas de valores e ideais, pequenas nesgas de ternura.