scrita num estilo despojado de artifícios retóricos, mas, ao mesmo tempo, saturada do simbolismo tão característico do autor, A morte de Ahasverus é uma novela que, por vezes, manifesta fulgores próprios de uma parábola. Desde sua abertura, em que nos apresenta uma estalagem medieval onde se reúnem os mais variados tipos humanos de peregrinos que rumam à Cidade Santa até rufiões, prostitutas e salteadores , a obra em momento nenhum se afasta da tensão entre as angústias e limitações humanas e a atração de um chamado profundo e talvez externo que, embora por vezes incompreensível aos que o ouvem, ainda assim se impõe irresistivelmente. Desse modo, o autor esboça um quadro das operações das forças elementares da existência humana, no qual não se discerne, como se presumiria, os vincos e limites entre a penitência, a indiferença e mesmo a revolta.A figura que faz com que novamente se cruzem os caminhos até então separados de Tobias e Diana, dois antigos amantes, é Ahasverus, o judeu