Fé, determinação e amor ao próximo. Essa trindade nutriu de energia o pecuarista Henrique Prata e fez com que ele transformasse o pequeno hospital geral São Judas Tadeu, no interior de São Paulo, num centro de excelência no atendimento, tratamento, prevenção e pesquisa oncológicas, hoje internacionalmente conhecido como Hospital de Câncer de Barretos. A saga da instituição, narrada por ele durante a caminhada de Burgos a Santiago de Compostela, na Espanha, se mescla à trajetória de luta e empreendedorismo do homem que sempre teve nas mãos as rédeas no mundo rural. O produto dessa sinergia é agora contado no livro \"Acima de tudo o amor\", lançamento da Editora Gente. Tudo começou em 1962, quando o pai de Henrique, o oncologista Dr. Paulo Prata, movido pela ética e o juramento de Hipócrates, idealizava realizar atendimento humanizado, de alta qualidade e gratuito aos doentes de câncer mais carentes da região. O doutor insistia numa operação que fechava todos os meses no vermelho, fadada à falência. Henrique era um dos principais críticos do projeto e ia desativar o hospital, quando um cirurgião do São Judas despertou uma luz na consciência do fazendeiro.Convenceu-o de que a compra de um simples equipamento aceleraria os procedimentos e reduziria o tempo de espera dos pacientes para as terapias. Alguns cálculos e uma ação entre amigos, a tradicional vaquinha, deram ao hospital um foco cirúrgico e a Henrique Prata a certeza de que mesmo sem ser médico, poderia salvar vidas. Prata é um pioneiro das bem sucedidas parcerias público-privadas. Sem dr antes do nome, jaleco branco ou estetoscópio, resolveu abraçar a obra sonhada pelo pai. Enfrentou dificuldades, mas com doações de empresários, fazendeiros, artistas, cantores e personalidades públicas, mantém o complexo, hoje com 107 mil metros quadrados de área e 100 mil atendimentos do SUS por ano. O livro traz incríveis histórias que acontecem todos os dias - verdadeiros milagres - que permitem que esse trabalho valioso continue sendo feito. Como o custo operacional mensal excede as receitas públicas destinadas à obra, é o apoio incondicional de pessoas do bem que faz com que as portas permaneçam abertas. O autor narra como venceu barreiras e tornou o impossível possível, encontrando anjos de solidariedade que o ajudam a prosseguir nesse caminho de fé e amor.