Com mais de 50 anos de carreira, personagens marcantes como o detetive Spirit, e ideias que revolucionaram a forma de contar histórias em quadrinhos, Will Eisner foi um pioneiro que alçou as HQs ao status de “nona arte”. Não é à toa que a principal premiação internacional para esse tipo de publicação leve seu nome, o Eisner Award. A biografia Will Eisner: um sonhador nos quadrinhos, escrita por Michael Schumacher, traça a longa trajetória de vida, arte e trabalho desse cartunista que fez das ruas de sua Nova York um rebuscado mundo de paixões, frustrações, alegrias, medos e experiências. Schumacher teve acesso ao arquivo pessoal de Will Eisner (que morreu em 2005, aos 87 anos) e falou com várias pessoas que trabalharam e conviveram com ele, entre colegas de trabalho, admiradores, amigos e parentes (incluindo sua esposa, Ann). Com as informações reunidas, que incluem imagens de Eisner e de alguns de seus principais trabalhos, a biografia faz um retrato pessoal, profissional e artístico do cartunista, e também da evolução da forma de contar histórias que ele mais amava: os quadrinhos. Eisner precisou começar a trabalhar cedo, aos doze anos de idade, para ajudar a família durante a Grande Depressão de 1929. Para tristeza da mãe, Will sabia desenhar, coisa de vagabundo, na época. Nessa fase de aprendizado, projetos frustrados e pouco dinheiro, ele trabalhou com artistas que pouco depois fariam história como ele, como Bob Kane (Batman) e Jack Kirby (Capitão América, Thor, Hulk, X-Men). Quando chegou à maioridade, pouco antes de estourar a Segunda Guerra Mundial, montou um estúdio próprio. Nem mesmo se abalou quando dispensou uma criação da dupla Jerry Siegel e Joe Shuster, que lhe pediu a história de um sujeito com grandes poderes e roupa colante (Super-Homem). Pouco depois, criou o detetive Spirit, que revolucionou os quadrinhos com seu visual rebuscado, enquadramentos de cinema, roteiros sofisticados e muito humanos.