ELAS AMAM O QUE FAZEM

ELAS AMAM O QUE FAZEM
Editora: INH - IN HOUSE
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isbn13
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“– Como se homenageia um grande repórter? – ouvi Eliane Brum perguntar, durante um evento algum tempo atrás. – Escutando-o!” Assim escreve Jayane Silva, em um texto que nos faz viajar pela obra da jornalista gaúcha, interligando-a com a história e a personalidade de uma das maiores repórteres do Brasil. Nesta nova edição da série “Jornalistando”, temos o privilégio de embarcar em 15 viagens diferentes, de adentrar na vida e no trabalho de grandes jornalistas mulheres que têm algo em comum: são apaixonadas pelo que fazem. A própria Eliane Brum diz: “Uma das minhas regras pessoais é estar tomada pelo assunto, porque essa é a primeira verdade que ofereço ao leitor”. De onde vem a sensibilidade aguda dessa jornalista, que uma vez me fez chorar copiosamente numa oficina do “Profissão Repórter”? Vez ou outra chamamos alguns profissionais da imprensa para darem palestras à equipe. Uma vez Eliane foi. Sentou-se calmamente e, com a voz pausada e profunda, leu um texto do livro A Vida que ninguém vê. Era sobre Oscar Kulemkamp, um senhor de 85 anos que abarrotou a casa, o quintal, a calçada, com “restos de existências alheias”: Quando surge lá de dentro desconfiado e sorridente, Oscar Kulemkamp já vai explicando que um dia, um dia em breve vai levar tudo aquilo para construir uma casa na praia. Uma Pasárgada onde bonecas cansadas, fotografias de crianças que já se deixou de amar e cartões de aniversário que se foram não virem lixo. Um mundo onde nem coisas nem pessoas sejam descartáveis. Onde nada nem ninguém fique obsoleto depois de velho, quebrado ou torto. Um mundo onde todos tenham igual valor. E a nenhum seja dado uma lixeira por destino. Uma emoção forte tomou conta de mim, e eu não consegui conter as lágrimas. Que olhar mais carinhoso e delicado! Na época, pensei que uma pessoa muito egocentrada seria incapaz de escrever aquilo, que, para chegar ao outro, o jornalista deve, em certa medida, abdicar um pouco de si mesmo. Qual foi a minha surpresa quando Jayane faz esta revelação no texto sobre Eliane: Entrou no teatro da vida já como atriz substituta. A protagonista, sua irmã mais velha, morrera com apenas 5 meses de existência, vítima de uma doença que nem o melhor dramaturgo da época poderia prever. Nasceu, então, rejeitada pelo público. Ou pelo menos era assim que se sentia, como conta em Meus desacontecimentos (LeYa, 2014). Nesse contexto, não conseguiu incorporar seu papel e passou a infância tentando encontrar seu lugar.