Uma das mais inovadoras e enigmáticas obras de Marguerite Duras é analisada em detalhe neste livro. Com India Song, a escritora e diretora francesa inventou um novo gênero textual (1973) e realizou um filme (1975) que ainda comove, hipnotiza e intriga. Em ambos, Duras fez convergir todas as suas obsessões: o amor e o desejo levados ao paroxismo da loucura; a múltipla e voraz sexualidade feminina; a morte e o crime e seus inabordáveis sentidos; a podridão do poder colonial e a decadência do Ocidente; a inegável morte de um mundo sem que um outro pareça despontar no horizonte. Tudo isso é orquestrado com uma espantosa precisão técnica, que faz pensar no teatro de Beckett, no cinema de Resnais e Marker – e, sobretudo, na música de Bach, Beethoven e Berio. Que India Song seja ao mesmo tempo tão visceral e tão cerebral é um dos enigmas que este livro se esforça por clarificar. Procurou-se, entretanto, evitar que a análise se torne uma dissecação, que mata e esquarteja o ser vivo que estud