"E se os clássicos da literatura ocidental fossem pensados a partir de seu potencial destrutivo? Autora do premiadoUm mapa para a porta do não retorno, Dionne Brand desenvolve uma crítica radical do cânone e oferece um vibrante testemunho como sobrevivente de uma formação literária colonial. “Não me entristece o fato de Robinson Crusoé ser um escravagista. Me entristece ter que ler Robinson Crusoé como o homem universal. Não guardo esperanças em relação a nenhum aspecto de Robinson Crusoé que eu pudesse apreciar se ele não fosse escravizador.” É com essa verve demolidora, sem fazer concessões, que Dionne Brand desestabiliza qualquer perspectiva humanizadora em torno dos clássicos. Nascida em Trinidad e Tobago, Brand parte de sua experiência traumática com a literatura britânica e retira o manto de universalidade que paira sobre a figura do “leitor” ao analisar obras que jamais foram escritas para uma leitora como ela — uma jovem negra no Caribe. Para a autora, essas obras manifestam o