Como Gary Shteyngart ou Michel Houellebecq, Wang Xiaobo é um ícone literário chinês cuja sátira nos força a reconsiderar as ironias da história.
“Parece que corria o boato de que Chen Qingyang e eu tínhamos um caso. Ela queria que eu provasse a nossa inocência. Eu disse que, para provar a nossa inocência, teríamos de provar uma das seguintes coisas:
1. Chen Qingyang é virgem.
2. Nasci sem pênis.
As duas proposições eram difíceis de provar; portanto, não podíamos provar a nossa inocência. De fato, eu tendia mais a provar que não éramos inocentes.”
Assim começa a história do longo caso de Wang Er com Chen Qingyang. Wang Er, ex-vaqueiro de vinte e um anos, é humilhado pelas autoridades locais e forçado a escrever a confissão de seus crimes. Em vez disso, ele assume a tarefa de escrever um tratado literário modernista. Mais tarde, professor em uma caótica universidade recém-criada, Wang Er se orienta pelo labirinto burocrático da China de 1980 e escreve com ousadia sobre o impa