Se a memória pode nos pregar peças, imagine uma que é labiríntica, autônoma e desesperadamente maior do que nós mesmos. Ponha-se no lugar de seu dono, o padeiro Mílton, amante da MPB, do futebol, das corridas de automóvel, sujeito um tanto singular que tem de enfrentar Alberico, um outro padeiro, sempre pronto a lhe
puxar o tapete. Imagine também uma neurologista muito justa e à frente de seu tempo. Imagine tipos humanos inesquecíveis, numa trama cheia de ironia, questionamento e densidade existencial. É isso que se apresenta nesta narrativa surpreendente, escrita em linguagem viva e fluente, mas o tempo todo inovadora.