Ler/ouvir as canções de Chico Buarque, sejam aquelas produzidas no período da Ditadura Militar, ou as que foram produzidas no período pós-ditadura, é fazer um movimento que nos convida a refletir sobre diferentes momentos da história recente do Brasil, nos quais visualizamos um lugar de autoria visto como uma das funções que o sujeito ocupa na ordem dos discursos e dá aos textos seus “nós de coerência, sua inserção no real”, como nos ensina Michel Foucault. O lugar de sujeito e de autor ocupado pelo nome Chico Buarque caracteriza a produção estética e política desse artista como uma poética de resistência à diversas situações de conflito e de rupturas democráticas ocorridas no Brasil. De forma crítica e inventiva, as canções buarqueanas agenciam discursos que deram e dão voz a grupos marginalizados, excluídos e infames, demarcando lugares políticos do autor ao longo da história. Além de dar visibilidade a grupos marginalizados, algumas canções desse autor entoaram movimentos de resistê