Este livro busca retornar às questões fundiárias que se colocam a nós, pensar nossa relação com as terras e com a Terra, continuar a explorar a hipótese de uma comunização dos territórios. Se o Estado e os inquisidores da radicalidade afirmam de comum acordo que tudo está acabado, é porque algo se prolonga. Alguma coisa de profundamente arredio aos grilhões binários nos quais eles se prenderam: violência vs não violência, legal vs ilegal, radical vs popular, ofensiva vs alternativa. Afastar-se da ideologia para aprender com a experiência. Opor à reconfortante clareza dos modelos (sejam eles políticos, econômicos, científicos, morais), a opacidade de experiências singulares e imprevisíveis. Para todos os doutos – apaixonados por formas ideais – a experiência política é sempre julgada à luz de suas imperfeições, de seus afastamentos face aos absolutos, em vez de ser plenamente vivida em todas as suas potencialidades.