Podemos afirmar que, no século XVI, os projetos de França Equinocial e França Antártica, a fascinação pelo pau-brasil e pelos costumes indígenas, fazem do Brasil o « avesso da Europa ». O Brasil é e tem tudo o que a Europa não é, ou tudo o que ela não tem. Diante dos índios brasileiros levados a Rouen e exibidos na corte como selvagens e exóticos, Montaigne se inspira e escreve uma das páginas mais importantes sobre o homem natural, o ensaio Os canibais, em que questiona o epíteto de « selvagens », dado aos ameríndios, afirmando sua superioridade sobre o europeu, « civilizado ». A partir desses encontros e desencontros entre o « mesmo » e o « outro », estavam lançadas as bases de inúmeras teorias, que tanta repercussão teriam na literatura e em muitos campos do saber. A literatura no encontro com o outro apresenta uma série de artigos, publicados por membros do grupo de pesquisa “O passado no presente: releituras da modernidade”, bem como por colaboradores estrangeiros e brasileiros,