Os embates pelas igualdades de gênero estão longe de constituírem uma questão resolvida. Sabemos que os papéis sociais ocupados pelas mulheres representam construções culturais que, inúmeras vezes, nada tem de natural e, portanto, são passíveis de serem historicizados, assim como os modelos normativos que regem suas condutas podem, e devem, ser questionados. É desta forma que Bárbara Alexandre Aniceto, nesta obra, baseada nas teorias de gênero, faz uma minuciosa leitura das peças de Aristófanes protagonizadas por mulheres, Lisístrata, As Tesmoforiantes e Assembleia de Mulheres, juntamente com as personagens femininas das outras peças do mesmo comediógrafo. Discutindo a interpretação reducionista de que elas estavam ali presentes somente para fazer rir, a pesquisadora retira a comédia Aristofânica do lugar comum, apenas do risível, resgatando sua natureza irônica e de crítica social. A autora entende que papel ativo das representações femininas funcionava também como uma forma de denúnc