Poses e posturas inspira-se, em parte, no que a crítica argentina Sylvia Molloy chamou de “epistemologia da pose”, conceito afim, mas não idêntico, ao de “epistemologia do armário”, de Eve Kosofsky Sedgwick. Se as noções de “pose” (feminizada) e “postura” (masculinizada) estão quase sempre relacionadas com
identidades individuais ou performances de gênero, na virada do século XIX esses conceitos adquirem um significado mais amplo, associado também à cultura e à identidade nacionais, seja no que diz respeito ao desejo de imitação (cosmopolita), seja na angústia que este desejo provoca. Da ambivalência do “travestimento” enquanto disfarce na obra de Joaquim Manuel de Macedo à construção e desconstrução do armário em torno da figura de Mário de Andrade, os ensaios aqui reunidos tratam desta instabilidade que caracteriza as identidades e identificações de gênero, sexualidade e cultura letrada durante os cem anos em que se procurou definir a autenticidade da nação brasileira e o tipo naci