Os cientistas e filósofos que constituíam outrora a República das Letras escreviam sobretudo para convencer seus pares. Dependiam do poder e dos grandes. No século XVIII, os elogios de seus colegas não são mais suficientes para os intelectuais. Os desejos de glória, a busca da grandeza e a vontade de poder são as grandes paixões que agitam os pensadores desde o Século das Luzes, que assistiu ao desenvolvimento do poder da imprensa e, com ela, o tormento da celebridade.Em AS PAIXõES INTELECTUAIS, a filósofa Elisabeth Badinter analisa de maneira inédita a sociedade do século XVIII, compondo um detalhado retrato das relações pessoais e intelectuais dos eruditos da época. Dividida em três volumes, a obra abrange o período do Iluminismo que vai de 1735 a 1778, e as diferentes paixões que dominaram seus filósofos Desejo de glória 1735-1751, Exigência de dignidade 1751-1762 e Vontade de poder 1762-1778, que acaba de ser lançado pela Civilização Brasileira.Com o surgimento, no meado do século XVIII, de uma opinião pública esclarecida e cada vez mais influente, o poder muda de campo só a opinião pública é capaz de se impor ao soberano. Segundo Voltaire, o governo do mundo transforma-se num jogo a três filósofo, opinião pública e soberano. Toda vez que ignora essa regra, o intelectual fica à margem. Assistimos, assim, ao nascimento, entre os intelectuais, de três paixões sucessivas que constituíram o tema desta trilogia. No primeiro volume, a autora nos revela o desejo de glória dos sábios e dos filósofos, que saíram dos laboratórios e dos gabinetes para se mostrar nos salões. No segundo, podemos ouvir a exigência de dignidade dos escritores e acadêmicos, que reivindicam independência econômica e autoridade moral. Neste terceiro volume, observamos o nascimento da vontade de poder. As décadas de 1760 e 1770 marcam a grandeza e a decadência dos homens de letras parisienses. Nos anos 1760, o prestígio dos filósofos é de tal ordem que eles são cada vez mais cortejados pe