A leitura do presente livro estimulará o avanço da historiografia do comércio escravista luso-atlântico para além do embate entre uma abordagem “triangular” e outra “bilateral”. O autor demonstra o grau de
complexidade dos circuitos nos quais se conectavam o capital, as mercadorias
e os africanos escravizados. Sua abordagem desse tema clássico desloca o
comércio de escravos entre Angola e Brasil do nicho paroquial, a que boa
parte da historiografia recente o tem cingido, reconectando-o a um
horizonte mais amplo [...] dá continuidade à melhor tradição da história
econômica brasileira, mas o faz de forma renovada, inclusive pelo tema
principal do livro. Nas interpretações clássicas da formação econômica do
Brasil, os laços mercantis-escravistas entre Brasil e Angola não receberam a
devida atenção. A lacuna foi justamente criticada pela historiografia que
passou a se distanciar daquelas interpretações. Maximiliano Menz, embora
siga a corrente historiográfica que, nas últimas décadas, tem