“Freud explica!” é o que muitos dizem. E eu não duvido, mas penso que a questão seja outra: você se sente pronto para fazer as justas perguntas? Aquelas que de fato interessam e cujas respostas você estará implicado?
Quando o padre Epifânio, por ocasião de um tratamento contra a depressão e ao admitir a falência de seu sacerdócio, aceitou fazer sua jornada analítica, viu-se obrigado a sair da posição de orientado para ocupar o lugar de sujeito e, assim, poder assumir-se como alguém portador de um desejo que, por sua própria natureza, rebela-se à tirania da imposição do desejo do Outro, condição essencial para restituir-se em sua subjetividade e identidade inalienável. Não é fácil para um padre admitir que seu sacerdócio faliu. O juízo da Igreja, e das pessoas em geral, é cruel. Ora tratado com indiferença, ora com desprezo, o ex-padre buscará se reinventar em meio ao abandono institucional e à sombra do olhar curioso dos que, sem uma real preocupação com o sujeito, impõem sempre uma in